Nosso “mito de origem” está lá longe. No tempo linear da cultura ocidental começa na década de 1980, quando o movimento indígena se organizava em torno das lutas por direitos e territórios. Para nós, o círculo do tempo vem como as estações que se sucedem, trazendo a presença dos ancestrais e as novas gerações no movimento de criar.
E no começo desse tempo, os velhos sábios das aldeias disseram “ninguém respeita aquilo que não conhece”. Apontavam eles para a necessidade de proteção e valorização das culturas dentro das aldeias e da aproximação com a população não indígena do país, revelando a beleza e força de suas tradições para conquistar aliados, tecendo um território de convivência respeitosa.
Desde então, projetos e ações culturais venceram os limites das aldeias para “amansarem os brancos” com beleza, sabedoria, conhecimentos, história, arte.
Através do Núcleo de Cultura Indígena começava uma trajetória pelos caminhos das tradições, em sua multiplicidade e profundidade. Uma busca de aproximação entre os povos originários e um país que se formou sobre seus territórios, mas tinha, e ainda tem, dificuldade de olhar e aceitar suas origens.
Apesar dos tempos difíceis que vivemos, de intolerâncias e desrespeitos, os povos indígenas que venceram guerras e políticas de extermínio ao longo dos séculos são nossos contemporâneos. São eles os guardiães dos “lugares onde a terra descansa”, onde a diversidade de formas de vida ainda é preservada e respeitada como bem maior e legado para as futuras gerações.
E aqui estamos, para reverenciar e trazer à luz essa riqueza, contribuindo para que sementes de saber se espalhem e germinem.
