O Núcleo de Cultura Indígena – NCI é uma organização da sociedade civil criada por pessoas indígenas de várias etnias e oficializada em 1986. Durante alguns anos o NCI teve escritório em São Paulo e regionais no Nordeste, Centro-oeste e Norte. Atualmente o Núcleo tem sede em Resplendor, Minas Gerais.
Sua criação veio para dar personalidade jurídica ao trabalho realizado por representantes da União das Nações Indígenas – UNI. A UNI surgiu e se fortaleceu como movimento orgânico, sem nunca ter registro legal. O Estado entende o Brasil como uma única nação, não reconhecendo aos povos indígenas o direito a sua territorialidade, identidade e organização social e política próprias e independentes.
Até a Constituição de 1988, os povos indígenas eram considerados relativamente capazes perante a lei, assim como crianças e deficientes, necessitando da tutela do órgão governamental, SPI – Serviço de Proteção ao Índio, até 1967, e depois Funai – Fundação Nacional dos Povos Indígenas. Sem direito à organização, à livre circulação pelo território nacional, a direitos básicos como falar a língua originária, saúde e educação diferenciadas, ter autonomia sobre seu território.
A União das Nações Indígenas – UNI representava um novo jeito de organização, mais próximo da tradição dos povos indígenas, levando em consideração a organização social e política das aldeias, surgindo num momento ainda delicado de retomada democrática do país.
As lideranças então à frente do movimento viajaram por todo o país, visitando cada comunidade indígena e mobilizando esses povos em encontros político-culturais pela unidade, pela superação dos conflitos interétnicos, pela garantia dos direitos básicos a esses povos.
A importância desse movimento extrapolou as fronteiras do país. Organizações indígenas de várias regiões do mundo foram aliadas, parceiras e interlocutoras no processo de afirmação dos povos indígenas no Brasil.
Governos e instituições internacionais reconheceram também a importância da UNI, do Núcleo de Cultura Indígena e de pessoas indígenas do movimento, concedendo-lhes prêmios importantes por seu trabalho em defesa dos direitos indígenas e de todo o planeta.
O trabalho do Núcleo de Cultura Indígena acompanhou as mudanças políticas e sociais ao longo destes 40 anos, alterando rumos e ações, estratégias de alianças e de organização para seguir na defesa dos direitos indígenas.
